As hipóteses, as situações e as verdades são como as bolhas de sabão: às vezes românticas, quase sempre instáveis e, incondicionalmente temporárias. Escancarar e descomplicar a tensão de longas justificativas. Por que, depois de um certo tempo, você tem o direito de dizer uma frase e deixar que, se necessário, o bom senso alheio faça o restante.

sábado, 26 de maio de 2012

a gente tem um tesouro
em casa, neste aqui-ali
onde a palavra-ordem
é reluzir;

neste mesmo canto-alma,
onde poucos têm
a cara-coragem
de chegar-enchergando.

(ainda bem)


sexta-feira, 25 de maio de 2012

nuvens de inocência flutuante
convertidas e antropofágicas

alimentam a esses outréns
e seus céus, de nuvens, cheios de bocas.

vai que em dias assim
a inocência derrete?!

















inspira-espira: Herculano Neto

domingo, 1 de janeiro de 2012


Toda pergunta exige resposta;
Toda resposta é uma prece.

Uma resposta é uma espécie de súplica
para que um desejo se sobreponha
ao acontecimento.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

sejas
livre, louca,
às vezes, repousada.

leve, iluminada,
às vezes, desbocada.

acalorada, recíproca,
e sempre confortada.

descabida, por não caber.
deslocada, por não haver inquilino.
desmedida, por faltar a métrica.

desvelada, por não se observar;
desconfiada, sem fiança na certeza.

quem eu ainda serei arde
de desejo por quem eu fui,
e deixei de ser.

em um mundo de igualdades,
toda beleza reside na imperfeição.
....................................................


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Muito cuidado! Feche todas as janelas antes de dormir; porque,
Enquanto dormes, a realidade entrará sorrateira por suas frestas.
E, ao amanhecer, ela espantará o amor natural do seu convívio.

Tatiani Távora


(Carlos Drummond de Andrade)


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Desconfiada

Marca a ferro

Aprende o tempo


Desconfiada

Das letras eternas

Da pronúncia das promessas


Desconfiada

Atenta para o hoje

Promessa rasa do instante


Confiada-mente:

Só por hoje

é hoje.


A plena ciência do instante

dura o tempo exatamente preciso

Perpetua bela a lembrança

Permanece pura a intenção



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

de tanto ocupar
a mente com as
palavras,
o clímax é
quando atingimos
o nível do indizível

suplantando os signos



domingo, 16 de outubro de 2011

adormecer é perturbar a dor
imaginar perder o presente
arriscar ganhar outra consciência

como já fui de inconsequências,
não tenho medo!

trago comigo a ideia do impossível:
tenho sua companhia.
não da maneira que você poderia ser,
mas do jeito que eu desejo escolher.

à sedução da instabilidade:
em cada momento és distinto
congruente à necessidade do instante.

tomada pelas nascentes fantasiosas
dos sonhos que no papel se entranharam,
me torno outra. obtendo trajeto nessas águas,
horas de silêncio e atenção;

mas depois os despertares são iguais:
cansada dessa não-rotina, te procuro
real na mesma forma do meu sonho.

como se houvesse possibilidade em ser:
dormir é amortecer a dor.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

essa métrica sem ângulo certo
esse ritmo sem roteiro definido
esse calor exaustor.

o gosto pelo complicado,
o inacabado, o que está
entre o zero e o inteiro,
o meio.

no suportar uma dor
não há amargura;
há apenas uma
perpétua querência.



terça-feira, 11 de outubro de 2011

sentindo o úmido
e o árido sob os pés,
me desfaço ao derramar
as sementes do que sou;

desejando ver pequenas árvores
germinarem no seu lento progresso,
as enxergo na proporção de uma vida reluzente.

e, mesmo sabendo que de árvores
só possam nascer flores e frutos,
continuo a desejar as estrelas.


as verdades são infladas como bolhas;
vertem aquosamente sobre a pele
nos resguardando à dor.

sirvo às ilusões,
e, por isso, à dor.
sirvo aos meus sentidos,
e à palavra.

todo o cismo que me transpassa
acontece sem o abalar da terra;
porque tudo o que há acontece
dentro da bolha que eu criei.



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

trago na alma alguns pássaros;
desses de som limpo,
leve, grave, profundo.
eles me tem em seu canto
(e até em seu silêncio).

orientam esse carnaval de vidas
me livrando das vertigens e de alguns tropeços;

e eu, mais livre e leve,
sigo me equilibrando em suas cordas,
casas, peitos, asas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

as ilusões são densas danças fervilhantes;
possuem como fonte de energia
toda a projeção de um universo.
(você sabe o que é isso?)


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

tríplice.

três lados, três vidas;
laços soltos, voluntariamente
erguidos como rochas.

a dádiva de ter três chances
no alívio de existir
e na sublimação de transcender.





sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O que é da flor

neste universo de troca
o uso torna-se via de mão dupla,
eu me estabeleço em uma mão
e o meu cheiro se torna luva sua.

descomplicando todo o resto


terça-feira, 27 de setembro de 2011

a consciência numa situação não implica
na justa atuação diante dela.
o fato de existir o conhecimento
não garante uma atitude conceitualmente adequada.

ser humano é
ser carne e emoção.
por último e menos importante:
intelecto.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

te percebi imensa
na correlação inexata do mundo.

beijando-me antes de ter:
copulando as minhas significâncias
antes delas (se quer) nascerem.
do vermelho do nosso sangue,
do embaralhado das nossas letras.

arraigada em mim.
Yayá, colorindo de tão intensa.
;)

sábado, 17 de setembro de 2011

quando se sabe,
dificilmente se esquece quem é.
quando não,
arduamente se procura ser
a primeira imagem de normalidade,
possivelmente deturpada.


o pudor tem força,
interfere no belo;
mesmo assim, ainda há
imensa distância entre
o não pode ser e o ser,
independente disso.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

soltos todos os laços não são laços
são tiras erguidas ao contrário,
não correntes.

todo laço breve suplica liberdade!